01/04/2014

23/02/2014

30/10/2012

Fausto no Coliseu dos Recreios

Actuação de Fausto no Coliseu dos Recreios no dia 20 de Outubro de 2012.

Apresentação do o seu mais recente disco, “Em Busca das Montanhas Azuis”, o último de uma aventura musical iniciada em 1982.

Esta aventura, em formato de trilogia, teve início com “Por Este Rio Acima” (1982), seguindo-se “Crónicas da Terra Ardente” (1994), e tem o seu culminar em “Em Busca das Montanhas Azuis”, um disco-duplo editado no final do ano passado, onde Fausto descreve a entrada dos portugueses em terra firme no continente africano.

 “Um trabalho intenso e mágico que revela uma nova aproximação à música tradicional portuguesa, feita por um dos nomes máximos da história da MPP”, pode ler-se em comunicado a propósito da a apresentação deste mais recente  trabalho de Fausto.


Foto de Catarina Mendes


Foto de  Catarina Mendes



Foto de Catarina Mendes



Foto de  Catarina Mendes



Foto de  Joana Soares 



Foto de  Joana Soares 



Foto de  Joana Soares 




Fontes -  Catarina Mendes/Espalhafactos   e    Joana Soares/Fenther  




17/10/2012

Fausto nos Coliseus

Fausto Bordalo Dias canta nos coliseus o fim de uma trilogia de viagens.
 
 
Fausto
 
 

18/02/2012

Em Busca das Montanhas Azuis





"Velas e Navios Sobre as Águas"



"Fascínio e Sedução"



"Nos Palmares das Baías"




" E Viemos Nascidos Do Mar"




10/02/2012

A trilogia das Descobertas




A trilogia das descobertas iniciada em 1982 com "Por Este Rio Acima" chega ao fim com um disco luminoso: "Em busca das Montanhas Azuis" celebra em 23 canções os antigos mercadores e os que sonhavam descobrir mundo. Encostado aos cenários da história, Fausto  Bordalo Dias fala-nos do presente e também do futuro.

O bilhete de identidade regista 5 de Dezembro de 1948, mas a mãe disse-lhe que nasceu a 26 de Novembro desse ano, a bordo de um navio, em pleno Atlântico. E é esse dia que ele celebra como o do seu aniversário porque "as mães nunca mentem", como ele diz, citando Borges. Mas nem do lugar que lhe foi atribuído como terra natal, Vila Franca das Naves, está ausente a sugestão marítima. Fausto Bordalo Dias completa amanhã 63 anos, na mesma semana em que chegou às lojas o terceiro volume da sua trilogia sobre as descobertas, sucessor de "Por Este Rio Acima" (1982) e "Crónicas da Terra Ardente" (1994). É um ciclo que se fecha, uma viagem que a pretexto do passado aponta ao presente e também ao futuro. Na capa do disco, tal como na dos dois anteriores, volta a estar um disco voador, para que não nos esqueçamos dessa transversal do tempo.

Esta trilogia consumiu praticamente metade da sua vida. Qual foi a principal força motora para se entregar a este trabalho?

O motivo mais próximo foi, nos finais dos anos [19]70, ter um livro de cabeceira chamado "A Peregrinação", de Fernão Mendes Pinto. Lia-o quando me deitava e foi para mim empolgante aquela primeira leitura. Daí nasceu a ideia de fazer um disco sobre essa obra que me encantou. O motivo talvez mais longínquo, embora eu não tenha a certeza dessa motivação, foi que eu participei na diáspora... 

Mas esse é semi-consciente, não?

A progressão daquilo até África, onde eu vivi, torna lógico pensar nisso como uma motivação subconsciente. Porque eu nunca estive na Índia! Quando eu fiz o "Por este Rio Acima" não tinha ideia de continuar.

O que o levou a essa ideia?

A diáspora tinha de continuar, já vinha de antes do Fernão Mendes Pinto e continuou depois. Mas continuar como? Aí surgiu a "História Trágico-Marítima". E se o "Por este Rio Acima" representa a água, o mar, o "Crónicas da Terra Ardente", nem que fosse por força dos naufrágios, é a aproximação à terra. Quando eu fiz o segundo disco já tinha visto que ia continuar. E dei sinais, embora ténues, disso. Na 18.ª canção do "Crónicas", o Sepúlveda enlouquece e perde-se pela terra dentro. É o primeiro sinal: alguma coisa vai acontecer, não vai morrer aqui. O segundo sinal é que eu os ponho a tentar subir um rio, na costa oriental de África. E este novo disco começa com a subida de um rio, só que na costa ocidental. É um roteiro descontínuo. São trajectos que se sucedem, vê-se no mapa [que está no disco] que entram simultaneamente por todos os lados.

Todos os textos que serviram de inspiração a este novo disco, do Cadamosto, Diogo Eanes de Azurara, Conde de Ficalho, dos pombeiros, etc., foram coligidos ao longo dos anos?

Comecei por ler livros genéricos sobre a expansão portuguesa. E estes, feitos por investigadores, citavam os autores antigos. Passei então a comprar alguns livros e fiquei com uma prateleira bastante extensa. Não habito as bibliotecas porque preciso de ler ouvindo música. É confrangedor entrar numa biblioteca e ouvir aquele silêncio. Então recorri a uma investigadora japonesa chamada Kioko Koiso, que encontrou a obras de que eu precisava. Umas em alfarrabistas, outras em fotocópias em várias instituições. 

Que músicas ouvia, enquanto lia esses textos?

As mais variadas, como pano de fundo, desde a clássica ao jazz, passando pela música popular. Eu sei que estou a dizer um sacrilégio, a música é para ouvir sem mais nada, mas eu a ler não suporto o silêncio. Muitas vezes leio até a ouvir rádio.

Este disco tem, tal como os anteriores da trilogia, um intróito instrumental. Que atmosfera quis transmitir agora?

Um tom clássico. Para quê? Para dizer que o ponto de observação é o do português, o do europeu, que ali chega. 

A continuação dessa chegada é um momento de descoberta, de maravilhamento...

Sem dúvida. Eles teriam notícias dos árabes mas dos negros, negros, provavelmente não. Eu escrevo aí "e vêm baços/ e outros pardos". Mas a visão daquelas paisagens é o êxtase. Eles passam muito tempo junto à costa vendo deserto e mais deserto. Até que lhes surge uma natureza verdadeiramente majestosa e luxuriante. E há uma coisa curiosa: no relato do Diogo Gomes, e tanto quanto penso também no Cadamosto, há leões e elefantes em zonas de África onde hoje já não existem. É uma coisa espantosa.

E há a escravatura, vista de modo diferente em "Nos palmares das baías".

Os portugueses, quando lá chegaram, ficaram absolutamente admirados (e indignados) por verem pessoas a serem trocadas por mercadorias. O sistema da escravatura já ali funcionava em pleno. A tese brasileirinha que atribui aos portugueses o fenómeno da escravatura é uma tese muito frágil e muito ignorante, na minha opinião. Protagonizada por alguns cantores brasileiros, não percebe que os portugueses aprenderam o sistema de escravatura com os próprios negros e os árabes. Depois adoptaram-na, é verdade. Mas é preciso perceber que tão esclavagista é quem compra como quem vende. E quem vendia eram os negros.

De seguida, em "Fascínio e sedução", vem o tema da atracção sexual...

O que eu quero realçar é que há um certo erotismo africano. Que é natural da parte deles, são assim. E há um encanto absoluto dos portugueses pela mulher africana. Saem de Portugal com mulheres vestidas até ao pescoço e começam em África a vê-las semi-nuas... é uma coisa alucinante. E ainda por cima vindos de largos meses no mar. Mas nessa canção o que sucede é um pouco ao contrário, porque são mulheres árabes quem procura seduzir dois portugueses que ficaram reféns numa negociação.

"À luz mais frágil das auroras" fala de uma captura humana, uma mulher precisamente, mas não é relatada como acto violento e sim como algo suave. Porquê?

Aí não há ainda o conceito de escravatura, eles procuravam alguém para mostrar como eles eram, quando voltassem a Portugal. Eles fazem uma cilada, sem dúvida, e capturam uma jovem. Mas não a tratam mal. Levam-na na palma da mão ["ó que negra mais linda/ cingimos agora/ suavemente levada/ à luz mais frágil das auroras"].

Mas "À sombra das ciladas" já traz a marca do sangue e da morte...

É uma canção que me emociona. Porque eu não falo só dos mortos portugueses, falo também de todos os outros, mesmo das vítimas dos combates entre tribos. Porque para mim a guerra é sempre de lamentar. E a guerra persiste, persistem as guerras tribais em África... Encostado aos cenários da história, eu falo do presente e até do futuro.

"De um crescente dourado" mostra outro tipo de fascínio, este pelo islamismo.

Fala sobre Pêro da Covilhã, um homem que atravessa rotas perigosíssimas e que é um espião. Sempre lhe chamei o James Bond de D. João II. Truculento, ao que parece muito bem preparado fisicamente, teve que se identificar como árabe para descobrir as rotas secretas do comércio. Por isso inicia-se no islamismo e, segundo o Conde de Ficalho, sem nunca ter perdido a fé cristã. A minha tese é diferente: ele absorveu de tal maneira essa nova personalidade que acabou por converter-se ao islamismo de uma forma sincera, tanto que nunca mais voltou a Portugal. O padre Francisco Álvares encontrou-o anos depois na Etiópia, já com muito filho e muita mulher à volta.


É ainda das viagens de Pêro da Covilhã que vêm as "Bárbaras iguarias", uma reacção de nojo pelos banquetes sangrentos e ao mesmo tempo de espanto perante os excessos de luxúria.



Diz-se que o Preste João das Índias não existia, mas existia. Só que eles imaginavam um rei cristão em palácio de ouro e encontraram sem dúvida um cristão mas já com rituais muito diferentes. Era nómada e andava com um acampamento atrás dele. Essa canção fala da surpresa com os banquetes que eles faziam e que degeneravam em autênticas bacanais.

Em "Por altas serras de montanhas" retoma-se a viagem. Para onde?

É a descrição da viagem de norte para sul, em direcção à Etiópia. O que procuro dizer também é que a viagem dos portugueses foi subindo e atravessando rios, atravessando grandes matagais e até desertos. Numa embaixada que durou sete anos!

E "O feiticeiro de Melinde", o que pretende significar?

África está associada à feitiçaria, ainda hoje. Há o feiticeiro, que aconselha o soba, o chefe. Mas através do feitiço é qualquer coisa de sonho, onírica. Nessa canção, os portugueses apoderam-se de um barco e o feiticeiro faz com que ele não se mova, apesar da agitação das águas e dos ventos. 

Falando de águas: "Pelos rios de Cuama" renova o espanto pela natureza, dos muitos peixes às zebras "entre outras feras mais bichosas". É de, novo, um maravilhamento?

Os portugueses viram vários rios e no entanto o rio era um só: o Zambeze. Fala da natureza magnífica, deslumbrante, mas entre a "pescaria saborosa" também se fala de mulheres que eles viam nas águas e que eram descritas como sereias. 

Esse espanto voltará a reflectir-se mais adiante, na canção "Quase em tons de cristal".

Aí começa um adeus. Estão no Manamotapa, hoje Zimbabwe, onde eles diziam que estavam as montanhas azuis. É a aproximação final da viagem. Mas é também, ao mesmo tempo, já uma visualização dessas tais montanhas azuis.

Esse adeus vai desembocar no "De costa a contracosta", já com um ritmo mais batido...

Isso está baseado no relato dos pombeiros, que eram negros ou mestiços, e como não escreviam um português perfeito, têm frases, que eu reproduzo entre aspas, como "andamos com o sol às costas" ou "levantamos a madrugada". Antes do Capelo e Ivens, forem eles que atravessaram primeiro, foram os pioneiros. Mas ninguém fala neles.

Esse tema fecha, de certo modo, a viagem. Mas depois ainda há dois apontamentos. O primeiro é sobre o Silva Porto, uma balada com um ritmo contido...

Baseei-me um bocadinho nas baladas do Zeca Afonso, as coisas que ele fazia com guitarra. "Os eunucos", de certo modo "Os vampiros" ou outros ritmos que eu fiz com ele na guitarra, como "O coro dos tribunais". E utilizei o ternário porque o Silva Porto era do norte, era do Porto, e ao mesmo tempo aquilo indica um vira. Mas o Silva Porto para mim foi uma paixão. Morreu em 1890 mas, quando eu era menino, em África ainda se falava dele. Na altura, a cidade chamava-se Silva Porto porque, como eu digo na canção, ele desenhou ali a Póvoa de Belmonte, um conjunto de casas. A dele, curiosamente, era rectangular mas era uma cubata, com três divisões. O nome "embala", que lhe deram, é o sítio onde o soba coloca a residência dos seus familiares. E aquilo era a embala do Silva Porto. Rodeada de laranjeiras (em árabe, Portugal era laranja), porque era a forma de ele se rodear da sua Pátria, ele era um patriota com grande rigor moral.

Essa abordagem do Silva Porto é, ao mesmo tempo, um regresso à sua infância?

Até aos meus dezoito anos visitei a embala do Silva Porto. Como podia imaginar que um dia ia escrever uma canção sobre ele? Agora, tive que resolver uma vida de 50 anos em pouco mais de três minutos. Deu-me muito trabalho, de tal maneira que a terminei já depois de o período de estúdio ter terminado. Foi uma operação relâmpago. Custou-me imenso, mas tinha que acabar assim: Silva Porto, o último sertanejo, o último dos românticos. Pouco tempos depois essa actividade entrou em crise, era uma actividade de mercadores mas também de descoberta, de conhecimento dos povos.

Mas o disco não acaba aí, há ainda um momento mais pessoal...

O Silva Porto, para mim, seria o fim. Acabou por não ser porque eu tinha um texto escrito sobre a minha mãe. Foi o primeiro tema que escrevi para o disco. Porque ela ficou lá, faleceu em África, tinha eu 17 anos. Marcou-me imenso. Ela antecipava as chuvas dizendo "Cheira a chuva".

Daí o título "O perfume das chuvas". E a Welwitschia Mirabilis invocada na canção?

É uma flor que nasce no deserto. Eu acho que ela, muito jovem, foi uma Welwitschia Mirabilis naquele deserto, saída do Portugal das Beiras. No fim do texto, pela primeira vez na minha vida, digo o nome dela: Alice. Eu chamava-lhe mãe.

O disco chama-se "Em busca das montanhas azuis" e essa cor remete-nos para um universo menos real que onírico. Foi isso que quis transmitir?

Sem dúvida. Procurei privilegiar os homens que se movimentaram como mercadores e, ainda mais do que estes, os que sonhavam descobrir mundo. Muitos viajavam para África com a paixão de conhecer e criaram no povo português uma reacção tão forte quanto aquela que nós conhecemos depois nas viagens à Lua e na conquista do espaço. Comparando com o "Por este Rio Acima" e com o "Crónicas da Terra Ardente", este disco é pretérito e futuro. Porque veio muito atrás e foi muito mais à frente.

É, ostensivamente, o fechar de um ciclo?

A minha fotografia que está no disco faz um paralelo com a de "Por Este Rio Acima" e apetecia-me dizer que foi por acaso, mas não é verdade. A primeira foi a preto e branco, tirada no Jardim da Estrela. Esta é a cores e foi tirada no jardim do Museu do Traje. Comecei assim e acabei assim. Essas duas fotos marcam um princípio e um fim. 


Fonte -   Nuno Pacheco - Jornal Público    



10/01/2011

Gravação do "Em Busca das Montanhas Azuis"!


Imagem tirada durante a gravação do  "Em Busca das Montanhas Azuis". 
Para outras imagens clicar   AQUI 

19/11/2010

Fausto no Chapitô


Fausto no Chapitô em  17 de Novembro de 2010


 

Teresa Ricou no uso da palavra.


 
Fausto com Maria do Céu Guerra.
 


Fausto com Maria do Céu Guerra e  Amélia Muge.

 


Fausto recebendo felicitações de uma das presentes do evento.


 
Fausto recebendo felicitações de um dos presentes no evento.


 
Fausto recebendo felicitações de um grupo dos presentes no evento.



Fausto á conversa com Viriato Teles e um outro presente  no evento.
 
 
 
 
 
 
 
 

21/10/2010

Festival Bons Sonhos - 2010

Festival Bons Sonhos

Concerto Bons Sonhos/22 Agosto - Foto da página oficial de Fausto no Facebook


Festival Bons Sonhos

Concerto Bons Sonhos/22 Agosto - Foto da página oficial de Fausto no Facebook


Festival Bons Sonhos

Concerto Bons Sonhos/22 Agosto - Foto da página oficial de Fausto no Facebook

20/06/2010

CCB - Junho 2010

Fausto CCB



Fausto CCB



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CCB Trilogia


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Fausto Bordalo Dias: algumas palavras em concerto no CCB (HD)



Fausto CCB 2010





"Mês e meio passados sobre um outro concerto de programa (o encerramento do ciclo Música e Revolução, a 1 de Maio, que encheu e fez vibrar a Casa da Música no Porto), Fausto Bordalo Dias respondeu com uma noite memorável de música e sonhos ao desafio que o CCB lhe lançou na “carta branca” de 2010: encenar, em estreia absoluta, a Trilogia que há três décadas ele vem construindo em torno das descobertas portuguesas.





Fausto CCB 2010


Assim, o barco que ia de saída há 28 anos em “Por Este Rio Acima” vem agora de chegada, majestoso, sem fronteiras claras entre princípio e fim, até porque não há um fim claro nesta história, Fausto já o disse, as descobertas nunca acabam. Nem a guerra, nem o amor, nem a vã cobiça. E foi deste modo que, de sala cheia, o CCB ouviu ecoar entre as paredes do seu auditório sete canções que nunca antes tinham sido tocadas em palco mais uma, que na voz de Ana Moura já conquistou as graças do público: “E fomos pela água do rio”, “Velas e navios sobre as águas”, “E viemos nascidos do mar”, “Nos palmares das baías”, “Fascínio e sedução”, “À luz mais frágil das auroras”, “À sombra das ciladas”, todas na sequência que terão no futuro disco, serão as primeiras sete, e, num salto mais para a frente (será a décima), “Por altas terras de montanhas”. ...... Jornal "Público" "


Foto de Fausto em actuação no CCB, da autoria de Ricardo Benevides.


19/06/2010

Entrevista à "Visão"!

Fausto


Visão - Vergílio Ferreira dizia que "da nossa língua vê-se o mar", também dá vontade de dizer que das suas canções, sobretudo das desta trilogia, se vê o mar. Mas não é o mar dos grandes feitos lusitanos, de Camões, nem o mar do mostrengo e do homem do leme de Pessoa, nem o mar das anémonas e corais de Sophia... Que mar é o seu?

Fausto - Eu diria que contei o outro lado da história. Não sou um nacionalista, mas considero-me um patriota e, nas minhas músicas, tentei encontrar o sentido do que a minha Pátria fez, durante os Descobrimentos. Porque me interessava compreendê-lo e adaptar esse sentido aos tempos actuais. Houve quem procurasse apenas glorificar. Eu glorifico o que há para glorificar, mas também conto o outro lado, o da gente que falhou e também matou. Nas sete canções inéditas que vou cantar agora, no Centro Cultural de Belém, conta-se o confronto, "à sombra das ciladas", que não é meigo. Mas também há o maravilhamento dos portugueses quando encontram homens mais negros. O choque de culturas pode dar em maravilhamento. Esse contacto pode ser enriquecedor. Mas também sabemos que o encontro de culturas diferentes pode dar naquilo que deu, e ainda dá, em guerras e conflitos, de certo modo incompreensíveis. Faço sempre essa adaptação da leitura da história para os tempos actuais.



Visão - É possível ouvir e gostar das suas músicas ignorando completamente o contexto histórico que lhe está por detrás, e interpretar uma música sobre uma viagem de barco como um música de amor, por exemplo?

Fausto - No Barco Vai de Saída há uma parte que diz "só vejo cores, ai que alegria" e perguntaram-me se aquilo não era uma referência aos alucinogénios e outras coisas do género... Todas as leituras são possíveis. Em À Deriva Porto Rico [de Crónicas da Terra Ardente] eles contam "servem-no tabaco, em vez de vinho". Nós vamos buscar estes relatos ao fundo da história, fazemos o percurso inverso e verificamos que muitas das situações continuam a ser vividas hoje. São iguais. Na sua geração, os Descobrimentos eram usados na escola e oficialmente como enaltecimento da nação. Agora, nos programas escolares, fala-se nos "factores económicos da expansão"... Parece que passámos da propaganda para uma visão economicista, como se a história fosse só curvas e gráficos... O que eu procurei privilegiar, no último capitulo que fecha a trilogia, é que muita gente viajou pelo conhecimento e pelo sonho.

Visão - O próprio Fernão Mendes Pinto acabou por confessá-lo...

Fausto - E voltou pobre, não enriqueceu, muita gente viajou pelo sonho, pela vontade de descoberta, pelo contacto com outros povos e outras culturas. No regresso, os exploradores eram recebidos por multidões entusiastas, eles revelaram mundos totalmente desconhecidos e que eu comparo como um ida à Lua ou a Marte.

Fausto


Visão - Porque é que começou esta trilogia? Sentiu vontade de se desactualizar?

Fausto - Porque me divertia imenso ler Fernão Mendes Pinto, era o meu livro de cabeceira. Em 1979, comecei a compor Por Este Rio Acima. Eu fiz parte da diáspora, os meus pais partiram, isso com certeza que me condicionou, mas não foi um acto consciente, sabe? Eu dei conta de mim a fazer aquilo sem saber porquê.


Fausto


Visão - Ou será que queria, nessa altura, distanciar-se um bocadinho da actualidade?

Fausto - Bom, não posso esconder que, na verdade, me cansei das canções de intervenção, já não faziam sentido nenhum, já ninguém as queria ouvir, estávamos a falar para o boneco. Foram canções úteis no momento em que foram feitas. Ponto final. Isso levou-me a uma reflexão mais cultural do que política. Senti isso, também pensando que Portugal, depois do 25 de Abril, estava a reencontrar-se com a sua primeira matriz cultural greco-romana, estava a abandonar o imaginário do Sul para se reencontrar com a Europa, como aconteceu. Tudo isso me fez pensar que já não fazia sentido o universo da canção de intervenção. Fazia sentido interrogar-me de onde vimos, para onde vamos, o que já fomos, de onde já voltamos, o que haveremos de ser...

Fausto


Visão - O Fausto pertenceu à geração que regenerou o País mas que não soube passar bem o testemunho...

Fausto - Estou de acordo consigo, não passou bem. O 25 de Abril desejou muito mais do que aquilo que deu. Uma pessoa da minha geração que tivesse pensado que, com o 25 de Abril, se alterariam profundamente as coisas, está desiludida, sabe perfeitamente que o 25 de Abril não conseguiu atingir os seus objectivos. E que até houve uma regressão.


Visão - Justamente por isso é que lhe perguntava se não fazia sentido recuperar a canção de protesto. O rap não estará a fazer isso?

Fausto - Desculpe, mas não posso concordar. Esse é um protesto tão folclórico quanto ineficaz, porque é absolutamente reabsorvido pelo sistema. Os cantores de protesto da minha geração continuam a ser os mais incómodos. O sistema absorve aquilo, é discurso folclórico, às vezes bizarro, parece que está a contestar o sistema mas o sistema está a rir-se deles. O sistema não se incomoda com isso, até os edita e promove.

Fausto


Visão - Deixa-se fascinar por palavras?

Fausto - Há palavras notáveis, que caem em desuso como "rapariga"... Agora, diz-se mais depressa "gaja" ou "chavala"... Impressiona-me muito a introdução de novos termos puramente geracionias, transitórios, de moda e de meios localizados.. Em minha casa, não entra um certo dicionário que institucionaliza o termo "bué". A geração futura já não vai reconhecê-lo, não está reconhecido pelo tempo. E vem um prof introduzi-la no nosso vocabulário.

Visão - Mas não lhe parece que a maior crioulização da nossa língua virá pelos termos em inglês?

Fausto - Isso é forte e feio. E as pessoas usam palavras em inglês de uma forma tão pomposa e tão saloia, pensam que isso as valoriza... Isso é avassalador e imparável, estamos a assistir a uma nova romanização, que é imparável, nada a fazer. E o acordo ortográfico... Sermos todos obrigados a abrasileirar a língua por imperativos diplomáticos, porque é da conveniência dos senhores embaixadores...


Visão - Os discos que forem editados a partir do próximo ano já vão ter nova grafia das letras?

Fausto - Nunca o permitirei, fica já aqui declarado. Nunca aceitarei este acordo. Óptimo sem "p" não existe!

Entrevista publicada na revista "Visão" Nº902 de 17 Junho 2010 - www.visao.pt

Página 106 ; Página 107 ; Página 108 ; Página 109 ; Página 110 ; Fausto 112 ; Página 114

Texto de Ana Margarida Carvalho
Fotografia de Marcos Borga

26/12/2009

"Três Cantos" - Campo Pequeno 2009

Tres Cantos

Fausto, Sérgio Godinho e José Mário Branco.


Tres Cantos

Fausto Bordalo Dias.

Três Cantos

Fausto Bordalo Dias.










Três Cantos

Fausto, José Mário Branco e Sérgio Godinho.


Fotos de Rita Carmo e Reinaldo Rodrigues


25/12/2009

24/12/2009

Almada - Ano de 2007




Nas comemorações do 25 de Abril.  


 
 
 
 

23/12/2009

Almada - Ano de 2007

Fausto_Almada

Nas comemorações do 25 de Abril.

"Roupa Velha"